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| Get Down! |
29 de Setembro de 1998. Minha cabeça está quase explodindo, quase não sinto as minhas pernas, e ao menor esforço de me levantar, meu estômago se contorce e eu preciso vomitar uma quantidade de álcool que até esse momento eu achava humanamente impossível de caber ali dentro. Ontem parecia uma boa ideia, recém solteiro (não por opção...), recém formado na academia de polícia e na véspera do meu primeiro dia no Departamento de Polícia da Cidade de Raccoon. Caralho! Meu primeiro dia e eu estou atrasadíssimo! Preciso pegar meu carro e ir correndo pra Raccoon. Raccoon... Meus amigos na academia me chamavam de maluco por querer trabalhar nessa cidade. Os boatos eram populares, membros da elite da polícia de Raccoon haviam desaparecido a alguns meses. Não tenho tempo pra essa besteira de cachorros carniceiros agora, aposto que jogam esse papo em todo iniciante na corporação. A cidade está calma, escura, é um território desconhecido pra mim, então vou reduzir a velocidade e observar. Opa, o que temos aqui? A alguns metros a frente do meu carro, uma garota parece estar desmaiada no meio da rua, acho que essa é a Boas Vindas da Cidade de Raccoon pra mim... Mas o que é isso? Ela está morta, não parece ter mais do que 15 anos... Uma criança, quem teria feito isso com ela? Sua roupa está completamente ensopada de sangue e em seu abdômen uma ferida de dois palmos já apodrecida. Escuto passos atrás de mim, obviamente uma cena como essa atrai curiosos, preciso manter a cena intacta e... O que? Isso é alguma brincadeira? De todos os lados, uma multidão de pessoas está se aproximando de mim, mas existe algo muito estranho, vejo sangue e feridas parecidas com a da garota na maioria deles, seus globos oculares apresentam ausência de íris e pupila. Me sinto ameaçado, eles vem em minha direção, estou armado mas são muitos, não conseguiria conte-los, mesmo assim saco a minha arma e dou o comando para não se moverem. Sou ignorado. Sinto um forte puxão na perna direita, instintivamente aponto a arma para baixo e quando percebi o que estava acontecendo, a mesma sensação de desespero e vontade de vomitar voltou. Aquela pessoa agarrada na minha perna tentando me morder era a garota morta! Isso não poderia ser verdade, isso é impossível. Eu ainda estou sonhando, estou delirando, naquele quarto de motel de beira de estrada onde fui parar na noite passada, é isso. Meu devaneio sumiu ao som do disparo da minha própria arma, que acertou a garota morta na cabeça... eu matei a garota morta? Não tenho tempo para pensar em mais nada, pois os outros seres continuam avançando em minha direção. A quantidade deles dobrou e eles já tomaram meu carro, não conseguiria chegar nele com segurança, vejo uma porta no fim de um estreito corredor a minha esquerda e avanço até ela de costas enquanto alvejo alguns dos "monstros" que veem em minha direção, estou acertando disparos precisos em seus tórax mas eles simplesmente continuam de pé e avançando. Meu coração quase sai pela boca quando a porta se abre atrás de mim, mas eu procuro manter a calma quando vejo uma moça aparentemente "normal" olhando pra mim mais assustada que eu e gritando "Não atire!". "Abaixe-se" gritei, e acertei um tiro na cabeça do monstro atrás dela, que caiu duro no chão. Seriam essas criaturas zumbis vindas diretamente de um filme do George Romero? Oh Droga, o policial sempre se ferra nessas histórias. Alguém "vivo" nesse lugar, finalmente, talvez ela possa me explicar o que diabos está acontecendo, mas antes precisamos sair daqui e ir para a delegacia de polícia, onde estaremos seguros.
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| Essa não parece querer arrancar um pedaço de mim... |
Com a ajuda da garota, conseguimos entrar em uma viatura aparentemente abandonada, e seguimos caminho até a delegacia. No caminho, mais e mais desses zumbis apareciam na rua, e eu começava a acreditar novamente que estava em um pesadelo.
-O que está acontecendo? Eu cheguei na cidade e estava todo mundo louco!
-Ótimo, o rádio está sem sinal...
-Você é um policial, não é?
-Sim, primeiro dia no trabalho, ótimo não? Meu nome é Leon Kennedy, prazer.
-O meu é Claire, Claire Redfield, vim para a cidade para procurar meu irmão, Chris.
-Você pode abrir o porta luvas?
-Claro... Tem uma arma aqui.
-Melhor levar ela com você, eu já tenho a minha.
-Tudo bem, eu já sei atir... AHHHH!
Nesse momento, um zumbi que provavelmente não gostou da termos atrapalhado o soninho dele nos atacou, sabe-se lá de onde, me fazendo perder o controle do carro. A batida foi forte, mas eu e Claire saímos ilesos, enquanto o zumbi foi atirado pelo vidro da frente até uma parede. Usem cinto de segurança. Parecia que tinha-mos nos livrado dessa, mas o problema maior aparecer a frente. Um enorme caminhão desgovernado vindo em nossa direção, nossa única saída sair cada um pra um lado, "Pule", gritei para Claire, enquanto fazia o mesmo. Por pouco não fui pego pela enorme bola de fogo que se sucedeu a explosão. Novamente eu estava sozinho, Claire ficou presa do outro lado, mas gritou que estava bem. Pedi que tivesse cuidado, e que fosse o mais rápido para a delegacia, onde poderíamos nos reencontrar. Com nossos caminhos separados, mais uma vez estou sozinho nesse inferno na Terra, minha única chance de descobrir o que está acontecendo e proteger a mim e a única pessoa viva que encontrei até agora é chegar até a delegacia, e alguma coisa me diz que isso não vai ser tarefa das mais fáceis.



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